
Guardava alguns silêncios e também as coisas
que não dissera por acaso. Guardava gora também
esses acasos, brancos recados entre as palavras
que lhe sobravam nas gavetas. E ainda assim guardaria
para sempre essas palavras, ou a imagem de lábios a
dizê-las ― um rosto ainda sem ser triste lembrando o verão.
Teria aguardado esse verão, o cheiro quente dos morangos
à beira os dedos. E tê-lo-ia sobretudo guardado,
como guardava agora, sem nunca o ter ouvido, o som
das espigas, na planície, à passagem do vento.
Mas agora só podia aguardar a passagem do tempo
sem palavras; ou um vento de feição, um acaso
que tudo justificasse. E no silêncio em que se ia guardando
buscava apenas um lugar mais sereno para as memórias.
Maria do Rosário Pedreira
Suena: http://es.youtube.com/watch?v=bgoqv9Etq2I
..................................................................................................................................................................
A falta de dos días para empezar a aprender sin diccionarios esta lengua, compro mi cuaderno azul para mis clases y lo preparo todo, mientras suena esta canción, con el mismo cuidado que cuando era pequeña y se acercaba mi primer día de colegio. Hoy también me encuentro y descubro a esta autora de hermoso lenguaje, mientras recuerdo que esta noche soñé con las calles del barrio de Alfama llenas de hojas...
1 comentario:
não lembro onde é que eu li este poema, mas é belo, e sabes que a canção gosta-me há muito tempo... sorte com a lingua
e beijinhos
Publicar un comentario